O Grupo de Pesquisa “Os pensadores clássicos e os debates contemporâneos” foi criado por professores e estudantes de Brasília com o propósito de promover a leitura e a reflexão sobre autores e obras consideradas “clássicas” para o campo de estudo das Relações Internacionais. A principal motivação para a constituição do Grupo foi o entendimento de que a as reflexões deixadas por pensadores como Hobbes, Kant ou Maquiavel são importantes para a melhor compreensão das questões de nosso tempo.

Com efeito, a leitura dos clássicos tem um papel essencial, especialmente nas humanidades e nas ciências sociais, como parte da formação da capacidade de discernimento tanto do analista, preocupado em explicar as questões correntes, quanto para aqueles que, na academia, estão envolvidos mais diretamente com a reflexão e o desenvolvimento de pesquisas voltadas para o avanço dos conhecimentos em sua área. Por vezes, o conhecimento dos clássicos é equivocadamente confundido com o vício da erudição. É óbvio que ter familiaridade com as grandes obras filosóficas, históricas e literárias não pode ser considerado um vício, no entanto, o uso superficial da formação erudita é que distorce seu sentido e transforma o interesse e o esforço honesto e construtivo de se conhecer a história e os grandes pensadores do passado em simples ornamentos para seus escritos, pareceres, palestras ou mesmo para sua convivência em sociedade. O entendimento do Grupo é o de que, muito ao contrário, esse conhecimento deve ser visto como a base de uma formação mais sólida e mais bem sedimentada e uma forma de valer-se de um acervo de conhecimentos que ajuda a refinar o entendimento do mundo contemporâneo.

Nas ciências que estudam os fenômenos da convivência humana revisitar os conceitos e as obras dos grandes pensadores do passado constitui uma prática corrente em todos os centros universitários de prestígio reconhecido. Essa prática decorre da observação de que os fenômenos políticos e sociais têm como característica marcante a de trazerem consigo, simultaneamente, elementos de permanência e elementos que evoluem ou se transformam ao longo do tempo. Os problemas que preocupam as pessoas e as sociedades variam com o tempo e as circunstâncias, mas as forças que movem o comportamento, que causam angústia, temor ou satisfação continuam a orientar os padrões que podem levar à coesão e à cooperação ou ao conflito e à desagregação.

 

Participantes do Grupo

Os participantes do Grupo podem ser docentes de instituições de ensino superior, pesquisadores independentes e atuantes em instituições públicas e privadas, estudantes de pós-graduação e de graduação. O Instituto de Relações Internacionais da UnB deverá abrigar o Grupo, mas espera-se que haja participação expressiva de professores, pesquisadores e estudantes de outras instituições. É importante considerar que o objetivo do Grupo não é o de formar especialistas em autores clássicos, antigos ou modernos. O Grupo é aberto a todos aqueles que, de algum modo, entendem como algo importante desenvolver maior familiaridade com os fundamentos conceituais e filosóficos das relações internacionais e das disciplinas correlatas. Dessa forma, muito embora possa haver casos em que um integrante do Grupo venha a se tornar um especialista em algum autor ou tema considerado clássico, a expectativa é que cada qual se beneficie das reflexões do Grupo para suas pesquisas em seu próprio tema de interesse. Ou seja, espera-se que um pesquisador interessado em examinar os problemas e as perspectivas das ações humanitárias, da segurança internacional ou mesmo das perspectivas do comércio em nossos dias, ao participar do Grupo, tenha sua sensibilidade e sua compreensão aumentadas em razão das leituras e reflexões acerca de como um pensador como Hobbes ou Grotius interpretava o mundo no qual vivia.

 

Mais informações no enredeço do Grupo de Pesquisa: https://pensadoresclassicosedebatescontemporaneos.wordpress.com/ e http://dgp.cnpq.br/dgp/espelhogrupo/1479243983856582